terça-feira, 7 de agosto de 2012

Errado, errante.

Não sei o que acontece comigo. Parece que estou sempre errando, trocando as coisas. Não sei por que motivo.

Quando eu era pequeno, um primo meu chegou pra mim e me disse: "teu senso de destruição é enorme. Tudo que tu toca se quebra, incrível isso." Ele disse isso, mas, claro, ele falava de brinquedos e outras coisas. Hoje eu penso sobre isso e vejo que o horizonte é mais na frente. Não se trata apenas de brinquedos. Ou talvez sim. Talvez tudo na minha mão não passe de um brinquedo. Talvez eu nunca tenha realmente crescido e estou aqui, sempre precisando de alguém pra me guiar, pra me salvar de mim. E a pior parte é que esse alguém sempre acaba se machucando.

Já me imaginei varias vezes com ele de uma maneira bem peculiar. Nesses meus devaneios eu sempre apareço como uma criança. Uma criança bem pequena que persegue uma borboleta. Algo simples. E ele um homem que olha por mim, que está sempre ali atrás cuidando pra que eu não me machuque. E no final, é ele quem acaba sofrendo e se machucando muito, e eu olho para aqueles olhos cheios de lágrimas e cansados e choro. Apenas choro.

Não sei até quando as coisas continuarão assim. Eu apenas fico desejando que um dia alguém chegue pra mim e diga que isso vai passar. Que eu vou ser capaz de fazê-lo feliz. Que um dia aquela criança vai crescer, cuidar daquele homem, sarar suas feridas e ser capaz de fazê-lo sorrir novamente.

sábado, 30 de junho de 2012

Tempo

O que são dois meses? Eu poderia dizer que são 60 dias. Ou 1440 horas. Ou até 86400 minutos. Seria uma resposta correta? Seria. Mas talvez a resposta que caiba não seja essa. Talvez não se trate apenas de contar o tempo, pois o tempo não se resume a números. E então, o que são dois meses? Pelo que tenho vivido, digo que, pra mim, dois meses são sorrisos, são lágrimas. Dois meses são vários "eu te amo". Podem ser beijos, abraços, e até mesmo saudade. Prefiro não contar, apenas sentir. Sentir ele passar da melhor maneira possível e aproveitar ao máximo, mesmo sabendo que tempo, com quem eu amo, é o que nunca vai me faltar.

E pra você, o que são dois meses?

domingo, 24 de junho de 2012

Ah, a vida...

Às vezes eu só desejo que as coisas fossem mais fáceis. Que eu pudesse andar de mãos dadas com ele na rua sem que me fossem apontados dedos e que falassem mal. Queria poder ir pra casa dele e ele pra minha sem que precisássemos ficar trancados dentro de um quarto. Queria poder demonstrar carinho em qualquer lugar, sem ter o medo de ser julgado. Então eu paro e penso que um dia vai ser assim, e sorrio. Aprendi a ser paciente, porque quem ama não tem pressa. Quem ama toma o tempo que for preciso, porque tempo não é problema quando se tem a eternidade pra ser feliz.

sábado, 23 de junho de 2012

So what if?

Lembro-me de quando a minha maior preocupação eram se quem eu amasse iria me amar. Me perguntava isso até pouco tempo atrás. Mas engraçado como as coisas mudam. Você amadurece, ama, é amado, e aí sua maior preocupação passa a ser não machucá-lo. Porque você sabe o quando sofreu e se sentiu só até que alguém sentisse o mesmo que você. E quando você machuca, mesmo que sem querer, você se sente tão mal, que você mesmo se sente machucado. Quando isso acontece você tem a certeza de que não se tratam de duas pessoas, mas apenas uma. Duas que se tornaram uma. Porque quando se ama, verdadeiramente, se entrega por completo, e você passa a viver uma vida não só sua. Porque o outro se torna tão importante, mas tão importante, que você esquece de si mesmo para dar tudo o que ele merece. E isso sim se chama amar.
"Não ligo pra toda essa dor à minha frente, porque estou apenas tentando ser feliz."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alvo

Lindo. É como consigo descrevê-lo em apenas uma palavra. Nós dois deitados na mesma cama, naquele espaço ínfimo, quase desafiando as leis da física. Nunca fui tão feliz. Pode-se dizer que, mesmo suando e dividindo uma cama de solteiro com uma pessoa quase do meu tamanho, eu estava no paraíso. A pele branca dele exalava uma pureza inimaginável. Não queria que aquele momento acabasse nunca mais.
A eternidade jurada entre quatro paredes. Era como se todo o meu pesadelo de solidão tivesse acabado pra sempre, como se a presença dele demonstrasse um conforto tão grande, uma segurança. Uma vida mudada em pouco menos de um mês. Parece até brincadeira, mas algo forte assim só acontece uma vez na vida, e, na minha concepção, é para sempre.
Só me restava descansar no seu peito e pensar que ainda havia muito por vir, apenas olhando para o seu rosto. Claro como véu. Alvo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Essa coisa chamada amor

Era sempre engraçada a sensação que eu tinha. Desde o começo do semestre, vendo-o sempre de boné, parecia-me que ele me olhava de instante em instante. Sempre disse isso pra quem quer que fosse, mesmo por mais absurdo que parecesse. Passados dois meses cá estou eu, em um relacionamento sério, fazendo besteira, deve ser porque não fui feito pra isso, ou simplesmente porque ainda não aprendi.

Me recuso a pensar na ideia de que eu possa fazer algum mal a ele. Se eu fiz, sempre deixei claro que não era minha intenção, mesmo porque não tenho motivos para machucá-lo. Espero que ele tenha paciência comigo, pra me entender quando houver algum deslize e me ensinar como se faz, até porque sou novo nisso, nessa coisa que chamam de amor.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Someone New

Desde que as conheci, eu tenho refletido sobre a ideia de como seria ter um relacionamento perfeito. Sempre tão lindas juntas. A felicidade irradiava pelos poros, como se fossem inatingíveis. Eu sempre pensei que, se eu tivesse em quem me espelhar, seria nelas duas. Andavam juntas; riam juntas; e, deixando o medo de lado, eram cada vez mais próximas.
As noites que eu passei na casa de uma delas observando-as trocarem carícias me faziam levitar. Sonhava acordado, desejando que um dia eu pudesse vivenciar aquilo, que eu achava tão distante, ao lado do impossível. Mas parece que nem toda essa paixão foi capaz de manter os laços atados.
Diferiam bastante, as duas. Eram como metades, mais para yin e yang do que para partes iguais. Vivacidade, liberdade e alegria contrastavam com uma pureza e quietude inconfundíveis, e, por mais que fossem diferentes, elas eram iguais, algo como um ciclo que se alimentava de toda essa diversidade, e um ciclo que se foi.
"Yes, we gave it a try, but maybe for too long. Out of every sorrow, another day will dawn."