quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Soledad

Vê-lo descer aqueles degraus amarelados era um dos meus passatempos favoritos. Não sei o que me levava a gostar de fazê-lo, talvez seu aticismo ou sua aura de Tom Ford, ou até mesmo ambos, só sei que havia algo de esplendoroso em vê-lo em uma ação tão simples. Costumávamos andar pelo seu jardim alexândrico por horas, conversando e sonhando com realidades próximas do impossível, mas toda vez que eu tocava sua mão o impossível se tornava tênue e eu me sentia esperançoso, me obrigando a permanecer naquele ciclo vicioso que, paulatinamente, me consumia por inteiro.
Mas como todo romance proibido, depois da bonança eu sentia uma tempestade de sentimentos álvaros me ocupando, me mostrando a verdade da pior maneira e, depois do crepúsculo, ela chegava como a noite, sombria e austera, tomando de mim o que eu tinha de melhor: ele.
Algo sempre me disse que eu deveria tomar uma atitude, seguir em frente ou fazer ele tomar uma decisão, mas sempre pensei que eu nunca poderia dar o que ela tinha capacidade de fazer por ele, mesmo que eu quisesse, sempre seria menor. E o ciclo mais uma vez se repetia, a não ser pela minha vontade de tê-lo que crescia cada vez mais.

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